sexta-feira, 8 de novembro de 2013

                                                                RESENHA

             PERDA (DO USO DO TU/TE) E AQUISIÇÃO (VOCÊ/TE)
                                                                                   Cinthia ferreira de Andrade

A resenha sobre o artigo “PERDA ( DO USO DO TU/TE) E AQUISIÇÃO (DE VOCÊ/TE) trabalho elaborado por Sônia Lazzarini Cyrino e Onilda Regina M. de Brito tem como foco de estudo  a seguinte ocorrência, em que empregada a forma de tratamento você junto ao pronome oblíquo te e ainda no trabalho são consideradas algumas das condições de uso dos pronomes da 2ª pessoa em função do objeto.
Neste estudo foi evidenciado à relação aos clíticos, em PB, no qual os estudos apontam que está desaparecendo. Porém ainda ocorre o uso dos clíticos de 1ª e 2ª pessoa embora em proporções menores. Analisados os dados foi verificado os valores dos clíticos de 2ª pessoa que de início houve uma considerável diminuição no uso desse clítico, mas que a partir dos 1940 volta aumentar o seu uso, chegando em 1973 a 24% não muito distante do valor apresentado na primeira metade do século XVI. Devemos registrar, no entanto, que esse clítico não corresponde mais à forma de tratamento tu, mas à forma você.
Segundo Monteiro (1994: 161-164),  intercambialidade dos pronomes”, decorre, no caso dos pronomes de 2ª pessoa, da introdução do pronome você. Isso se dá por um processo de reorganização do sistema em que possibilidade de uma série de associações nas relações sintáticas. Tal alternância pronominal   ocorre segundo ao autor por mudanças no comportamento dos interlocutores, dependentes da natureza da relação social: o uso de te com você conota talvez maior aproximação ou intimidade do que lhe com você.
Ainda com base nos conceitos de Monteiro, consideramos que os tipos de relação social e as interferências intersubjetivas constituam fatores condicionantes ao uso dos pronomes de 2ª pessoa, não podemos deixar de ressaltar que, através da observação da aquisição, os fatores que devem estar condicionados ao uso do te não sejam esses, pois uma criança ao redor dos dois anos de idade, quando se observa o uso do clítico de 2ª pessoa, manteria o mesmo uso ainda que estivesse falando com outra pessoa que não fosse a sua mãe, pois não possui bem definidos os tipos de relações sociais e o vocabulário a eles adequado.
            Analisando os dados da pesquisa pude perceber que a perda do uso te associado à forma de tratamento tu e o seu uso de te associado à forma de tratamento você, havendo também mudança no contexto em que ocorre essa nova associação: da interlocução para a enunciação. Pode-se considerar também que há existência de regras estrutural que submetem o uso desses pronomes pessoais, principalmente quando ouvimos, por exemplo, “ eu te amo você “ ou  “ Eu te falei pra você” , em que o clítico parece ser uma manifestação de concordância.

            Há muito a ser pesquisado quanto ao uso do Você/te, já que o uso do Tu/te só ouviremos, em PB atua, em restritas regiões do pais  e se tiver sido “aprendido “ na escola pelo falante, embora as gramáticas insistam em que se deve manter a uniformidade de tratamento, mas observa-se que em PB isso nem sempre ocorre.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

RESENHA SOBRE O ARTIGO “TU, VOCÊ, CÊ, e OCÊ NA VARIEDADE BRASILIENSE”


RESENHA SOBRE O ARTIGO “TU, VOCÊ, CÊ, e OCÊ NA VARIEDADE BRASILIENSE


Jose Ricardo Bispo de Castro

O referente artigo apresentado é fruto de uma pesquisa sociolingüística sobre os pronomes de segunda pessoa, com amostra de falas da variedade lingüística encontrada na região de Brasília e em algumas regiões administrativas que a circundam. Foi uma pesquisa que teve com base teórica a Variação Lingüística delineada por WEINREICH, LABOV & HERZOG. que assumem como premissas básicas a heterogeneidade lingüística ordenada e a necessidade do lingüístico e do não lingüístico para o entendimento pleno da variação e da mudança lingüística. Que é um fator de mudança diária, motivo pelo qual as pesquisas são importantes para os arquivos dessa variação tão rápida da língua.
Primeiramente os autores da pesquisa fazem uma retomada histórica de Brasília e como foi a formação para a construção da cidade, tendo como parâmetro os candangos que foram para Brasília na época de sua construção. Essa perspectiva é bastante interessante para o trabalho sociolingüístico porque, na época, pessoas de várias regiões do país foram para Brasília para ajudar na construção da Nova Capital da República.  Resumidamente, a pesquisa feita por estes pesquisadores apontam que, predominantemente, Brasília foi ocupada por nordestino, com 41,45%, em segundo lugar veio o sudeste com 30,72%, seguidos do centro-oeste com 22,75%, o sul com 1,98% e por último o norte com apenas 0,92%. Esses dados têm impactos diretamente na maneira de falar dos moradores da cidade de Brasília, tanto para os que lá chegaram como para os que lá nasceram. Tendo em vista que a sociedade em que estamos inseridos é fator fundamental para o modo de falar que adotamos, é uma característica humana.
A pesquisa foi dividida em grupos para abarcar melhor todas as variantes dependentes, assim foram usadas pessoas dos sexos femininos e masculinos, com diferentes posições sociais e com idades distintas. As cidades citadas na pesquisa foram Brasília, Taguatinga e Ceilândia, estas se diferem pelo poder econômico, social e cultural. Brasília com maior poder aquisitivo, com pessoas de classe alta, Taguatinga como classe média e Ceilândia, a cidade mais populosa do DF, como a cidade de classe baixa. Outro delineador foi a faixa etária dos informantes que foram divididos em: 13-19 anos; 20-29 anos e 30-48 anos.
Dados todos esses referenciais conclui-se que os homes com menores idade entre 13-19 anos tem maior incidência de usar o tu (pronome de segunda pessoa) em situações diárias de fala em um percentual de 41,5%, enquanto que as meninas da mesma faixa etária produzem esse pronome percentualmente em 22,6%. Na considerada, idade intermediária , 20-29 anos, os homens continuam na frente com 17,4% com relação as mulheres que atingem o total de 9,7%. Interessante a pesquisa que descobri-se que na última faixa etária pesquisada e apenas 5,1% dos homens continuam usando o “TU” enquanto as mulheres tiveram índices zerados 0,0%.
Compreende-se então, que o uso do “TU” pode ter relação com a idade, o grau de instrução e a classe social a que pertence o informante, visto que com menos idade, menos instrução educacional nos temos e com o passar dos anos tendemos a avanços educacionais e por este motivo usamos a maneira mais formal e culta para se dirigir a terceira pessoa, usando o “VOCÊ” em detrimento do “TU”. Vale salientar também que tanto em Brasília como nas Regiões Administrativas o uso do “TU” prevalece

A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E O PAPEL DOS FATORES SOCIAIS: O GÊNERO DO FALANTE EM FOCO

RESENHA
Karoliny Monteiro da Silva

No artigo intitulado “A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E O PAPEL DOS FATORES SOCIAIS: O GÊNERO DO FALANTE EM FOCO”, de Maria Marta Pereira SCHERRE (Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)/Universidade de Brasília (UnB)/CNPq1) e Lilian Coutinho YACOVENCO (Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)), as autoras irão retomar discussões labovianas sobre o paradoxo do gênero em fenômenos de variação e mudança linguística. A base principal tomada por elas são pesquisas sobre a alternância entre tu/você nas regiões Sul, Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Elas propõem que o efeito do gênero é orientado pelo princípio marcação.
Ao falar sobre mudança e variação linguística, citando os autores Weinreich, Labov e Herzog (2006 [1968]), é retomado o que esses dois autores falam sobre o modelo sociolinguístico de 1960 onde a variação e a mudança linguística, inerentes ao próprio sistema, podem ser controladas por restrições de caráter interno (estrutural) ou externo (social, contextual, discursivo etc). Segundo os autores, ao lado dos aspectos internos, os fatores externos são de suma importância na compreensão dos fenômenos variáveis e ainda que alguns deles podem ser os responsáveis pela variação e pela mudança linguística. É ai que são citadas as variáveis recorrentes na análise e interpretação dos fenômenos linguísticos variáveis.
A partir de então as autoras iniciam uma análise sobre Labov e o que ele diz sobre o gênero em fenômenos linguísticos variáveis. Apresentam as diferenças ditas intrigantes por Labov sobre o gênero, as de que em mudanças com consciência social, as mulheres usam mais as variantes de prestígio do que os homens. Mas em mudanças sem consciência social são também as mulheres que mais usam as formas inovadoras. É apontado ai a existência do Paradoxo do Gênero que depois Labov irá sugerir que poderia ser o Paradoxo da Conformidade, pois segundo ele, com uma mudança no Paradoxo do Gênero, a terminologia associada ao maior uso de variantes de prestígio (comportamento conservador) ou ao incremento de variantes inovadoras (comportamento progressivo) parece melhor definida como um comportamento conformista ou não conformista.
Mas ao reestabelecer o paradoxo em termos do contrário da conformidade, o desvio, Labov explica que o principal problema é o porquê de mulheres com a mesma idade e da mesma classe social aderirem às normas prescritivas em um caso e se desviarem delas em outro. Ele vai buscar respostas para isso na identificação dos líderes da mudança linguística, a mudança interna, natural e sistemática que Scherre e Yacovenco deixam claro ser o fator que desafia o trabalho científico delas. Elas esclarecem ainda que o que vão polemizar nesse trabalho são as reflexões sobre o papel do gênero nos fenômenos linguísticos, pois identificam o duplo comportamento do gênero em um só fenômeno variável no português brasileiro nos pronomes de segunda pessoa e ainda embasando suas argumentações em dois outros fenômenos, o imperativo gramatical e a concordância verbal.
Partindo para o pronome de segunda pessoa no português brasileiro que se apresentam de maneiras bem diversas em várias regiões do Brasil, o foco central do trabalho, segundo as autoras, são apenas as pesquisas que se ocuparam da análise do pronome TU em alternância com VOCÊ. Para o trabalho foram consideradas basicamente as pesquisam que focalizam a variável gênero do falante, que são: Loregian-Penkal (2004) e Ramos (1989) para a região Sul; Oliveira (2005; 2007) para a região Nordeste; Martins (2010) para a região Norte; Paredes Silva (2004) e Lopes et alii (2009) para a região Sudeste; Lucca (2005), Dias (2007) e Andrade (2010) para a região Centro-Oeste.
Segundo as autoras, a partir desses textos elas puderam observar o efeito do gênero de forma bastante clara na alternância entre os pronomes TU e VOCÊ, em que se destaca o duplo papel das mulheres: ora as mulheres usam mais o pronome TU do que os homens; ora as mulheres usam menos o pronome TU do que os homens. Isso faz lembrar a colocação de Labov sobre o comportamento diversificado das mulheres com relação a um mesmo fenômeno variável. Partamos então para as análises feitas por regiões.
Na região Sul foi constatado que as mulheres tendem a usar mais o pronome TU do que os homens. Após apresentar a síntese das pesquisas de Loregian-Penkal (2004: 14-16; 81; 136-138; 167) e de Ramos (1989: 26-35; 49-55; 64-67) em uma tabela de percentuais foi concluído que em dois estados da região Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, as mulheres favorecem mais o uso do TU do que os homens de forma regular, independentemente do maior ou menor percentual médio de uso de TU e do maior ou menor índice de concordância com o pronome TU. Exceto em Ribeirão da Ilha, em Santa Catarina, em que há 97% de uso do pronome TU, todas as apresentam sistematicamente aumento de TU em relação à média de uso de TU alternando com VOCÊ.
Nas regiões Norte e Nordeste as mulheres tendem também a usar mais o pronome TU do que os homens de forma igualmente regular. Após ser apresentada uma tabela sobre a síntese das pesquisas de Oliveira (2005; 2007) para a região Nordeste, no interior do estado da Bahia, e Martins (2010) para a região Norte, no interior do estado da Amazônia, foi possível observar que os percentuais médios de TU vs. VOCÊ na região Nordeste são bem menores do que os percentuais da região Norte, mas as relações referentes ao gênero dos falantes são as mesmas, com as mulheres favorecendo mais o uso de TU. De acordo com as autoras a pesquisa de Oliveira (2005) evidencia que há diferença de frequência de TU por localidade: nas comunidades Sapé (22% de tu); Cinzento (19%); Helvécia (7%) e Rio de Contas (1%); nas comunidades Santo Antônio (20% de tu) e Poções (9%), mas não apresenta as diferenças em função do gênero por comunidade.
            Nas regiões Sudeste e Centro-oeste as pesquisas feitas por Scherre e Yacovenco em Paredes Silva (2004) e de Lopes et alii (2009), para o Rio de Janeiro, na região Sudeste, e as de Lucca (2005), Dias (2007) e Andrade (2010) para o Distrito Federal, na região Centro-Oeste, revelaram comportamento contrário aos das outras regiões, pois as mulheres tendem a usar sistematicamente menos o pronome TU do que os homens. As autoras consideraram que O TU só se revela nos corpora do Rio de Janeiro especialmente constituídos para capturá-lo, no sentido metafórico do termo. Trata-se do corpus Paredes 1996, com 68% médio de uso de TU e do corpus Lopes 2009, com 35%. Também nestes dois corpora são as mulheres que usam menos TU. As pesquisas com dados do Distrito Federal, nas regiões administrativas Ceilândia, Taguatinga, Plano Piloto restrito e ampliado, em uma variedade em formação – a variedade brasiliense – revelam também de forma sistemática que as mulheres tendem a usar menos TU do que os homens.
            A partir dai já podemos concluir que para as pesquisas voltadas às variáveis de gênero na região Sul, Norte e Nordeste as mulheres tendem a usar mais o pronome TU que os homens, e nesse caso fazem um menor uso do pronome VOCÊ. Mas já nas regiões Sudeste e Centro-oeste, no contrário das outras, as mulheres tendem a usar sistematicamente menos o pronome Tu do que os homens. Contudo, ao observar o fator faixa etária, as autoras constataram que a quase totalidade das pesquisas consultadas indica que as faixas mais jovens apontam maior uso do TU, e ainda que o fator gênero mostra também que os homens podem estar à frente das mulheres em alguns casos, como foi notado sobre as regiões Sudeste e Centro-oeste.
Apresentando as sínteses sobre o pronome TU do Sul, Norte e Nordeste em contrapartida com o do Sudeste e Cento-oeste, as autoras apresentam os resultados dizendo que na região Sul, especificamente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, pode-se afirmar que esse pronome é interno ao sistema e que o efeito da faixa etária, anteriormente citado, está associado à formalidade intimidade, havendo dessa forma uma variação estável entre as formas TU e VOCÊ. No Nordeste, no interior da Bahia e Maranhão o pronome TU é igualmente interno ao sistema linguístico, mas na faixa etária haver um acréscimo do pronome TU. No Norte, em Tefé e Amazônia, foi associado por um dos autores pesquisados a uma semântica baseada na solidariedade.
Puderam notar ainda que apesar de haver um comportamento diferenciado entre os falantes das cidades do Sul, Nordeste e Norte pesquisadas, em caso de variação estável (Sul) e mudança abaixo do nível de consciência social (Norte e Nordeste), há uma tendência notável de as mulheres usarem o pronome TU mais frequentemente do que os homens. Porém não há uma associação clara de prestígio ou de desvio das normas pré-estabelecidas em relação às formas TU ou VOCÊ, como dizia Labov. Elas dizem que esta associação se dá, às vezes, à questão da não concordância com o pronome TU, mas não claramente com a forma TU ou VOCÊ.
No geral, Scherre e Yacovenco associam o uso mais frequente de TU por parte das mulheres nas regiões Sul, Nordeste e Norte, quando esse pronome for um traço mais geral ou de fácil registro e marcar a identidade geográfica dos falantes. E associam o uso menos frequente de TU por parte das mulheres nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, quando esse pronome for um traço menos geral ou de difícil registro e não marcar a identidade geográfica dos falantes, mas interação solidária ou de maior proximidade entre os falantes (logo, os homens estão à frente, quando esse pronome for um traço mais específico, marcando relações solidárias entre grupos mais coesos).
No segundo tópico da pesquisa, “Fatos adicionais: o imperativo gramatical (mudança from below) e a concordância verbal no português brasileiro (mudança from above)”, fazendo algumas generalizações sobre o efeito do gênero na variação e na mudança linguística a partir dos três fenômenos anteriormente mencionados, que são os pronomes de segunda pessoa, o imperativo e a concordância verbal, é observado que a variação dos pronomes de segunda pessoa no português brasileiro apresenta características diversas, a depender da comunidade analisada. Sobre a variação do imperativo, nas pesquisas realizadas, Cardoso (2009: 108-109; Cardoso & Scherre, a sair) observou que, ao lado da variável sócio-dentitária há também a variável gênero, com as mulheres favorecendo mais do que os homens as formas imperativas associadas ao indicativo. No caso da concordância verbal, a presença de concordância nas áreas urbanas é também a forma mais recorrente em termos médios. Além de ser a menos marcada socialmente: fazer concordância é que o esperado pela sociedade. Neste caso, s autoras concluem que também as mulheres estão à frente dos homens nos processos de mudança da concordância em direção à forma menos marcada.
Por fim, no terceiro e último tópico, “Em busca de generalizações subjacentes ao efeito do gênero na variação e na mudança linguística”, após serem feitas algumas proposições a partir dos três fenômenos apresentados anteriormente, que nas generalizações é dito que em configurações menos marcadas - e não necessariamente mais prestigiadas - as mulheres estão à frente na variação ou na mudança. E em configurações mais marcadas - e não necessariamente menos prestigiadas – os homens estão à frente na variação ou na mudança. As autoras finalizam dizendo que a questão da marcação das formas linguísticas tem de fazer parte de suas reflexões, na busca do entendimento mais integrado da variável gênero. Segundo Labov “é o comportamento não conformista das mulheres que faz delas as líderes da mudança, não seu gênero.”.


domingo, 3 de novembro de 2013

A VARIAÇÃO DOS PRONOMES DESEGUNDA PESSOA NA LÍNGUA FALADA NAS COMUNIDADES DE RATONES E DE SANTO ANTÔNIO DE LISBOA – UMA ABORDAGEM SOCIOLINGUÍSTICA VARIACIONISTA

Wágner

O artigo produzido por Patrícia Graciela da Rocha intitulado: “A variação dos pronomes de segunda pessoa na língua falada nas comunidades de Ratones e de Santo Antonio de Lisboa-Uma abordagem Sociolinguística Variacionista” composto por treze (13) páginas visa descrever a alternância dos pronomes “tu/você” nas duas comunidades de Florianópolis e saber se o “tu” persiste com relação ao você, os dados foram coletados do banco de dados do programa VARSUL; 192 entrevistas e foi utilizado também para analise o banco de dados VARBRUL.
       Como o titulo já mostra a autora partiu de uma metodologia variacionista, pois selecionou oito informantes e levou em consideração as variáveis sociais independentes não linguísticas que são: escolaridade, região e faixa etária e as variáveis linguísticas que são: paralelismo formal e concordância verbal, embora, eu não foque em concordância o artigo também menciona a concordância do pronome “tu” e o paralelismo entre os pronomes (tu/teu/te, você/seu/lhe) que arremetem o uso de alguns desses pronomes “tu/você”.
      Segundo a autora, há alternância entre esses pronomes em que a variante “tu” na região Sul mostra-se mais frequente com relação a variante “você” tal hipótese é levantada com base nos estudos de Loregian-Penkal (2004) na região central de Florianópolis e do Ribeirão da ilha (região interiorana), pois a autora afirma que por meio de comparações a predominância da variante “tu” sobre a variante “você”.
      De acordo com os dados levantados a autora pode constatar com relação à alternância de tu/você que a variante “tu” realmente predomina nas duas comunidades, porque como a autora argumenta apesar de o pronome (você) ser novo no português brasileiro os informantes jovens  fizeram 100% uso de “tu” e os mais velhos 96% das ocorrências e 4% do pronome você. Como a autora previa em seus objetivos o pronome (tu) continua a ser a forma mais utilizada até pelos mais escolarizados, embora os menos escolarizados façam mais uso de (tu).
      Como já havia mencionado o caso da concordância não será enfatizado aqui, pois não favorece a análise em questão que é a variação entre os pronomes de segunda pessoa. A autora explicita bem todo o trabalho aqui apresentado, no entanto deixa a desejar quanto à explicação a cerca do fato histórico entre ambos os pronomes, pois é mencionado que o pronome “você” é mais novo que o “tu” no português brasileiro, mas essa explicação ficaria mais coerente se a autora partisse de uma proposta morfológica em que ela poderia delimitar o pronome de tratamento “vosmicê” até ele chegar na condição de pronome pessoal, desta forma acredito que a afirmação anteriormente de que um pronome é mais recente que o outro ficaria mais clara.

        Embora tenha este pequeno empecilho, se é que posso chamar assim, não chega a comprometer a compreensão do artigo e fortaleceria a suposição de que a população jovem faz mais uso de “tu”, mas se fosse feita apenas melhoraria. Quanto à variação entre as duas variantes apenas foram confirmados o que já era hipotético, que a região sul tende a falar utilizando mais o “tu”.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

RESENHA

PERDA (DO USO DO TU/TE) E AQUISIÇÃO (VOCÊ/TE)
                                                        Cinthia ferreira de Andrade

A resenha sobre o artigo “PERDA ( DO USO DO TU/TE) E AQUISIÇÃO (DE VOCÊ/TE) trabalho elaborado por Sônia Lazzarini Cyrino e Onilda Regina M. de Brito tem como foco de estudo  a seguinte ocorrência, em que empregada a forma de tratamento você junto ao pronome oblíquo te e ainda no trabalho são consideradas algumas das condições de uso dos pronomes da 2ª pessoa em função do objeto.
Neste estudo foi evidenciado à relação aos clíticos, em PB, no qual os estudos apontam que está desaparecendo. Porém ainda ocorre o uso dos clíticos de 1ª e 2ª pessoa embora em proporções menores. Analisados os dados foi verificado os valores dos clíticos de 2ª pessoa que de início houve uma considerável diminuição no uso desse clítico, mas que a partir dos 1940 volta aumentar o seu uso, chegando em 1973 a 24% não muito distante do valor apresentado na primeira metade do século XVI. Devemos registrar, no entanto, que esse clítico não corresponde mais à forma de tratamento tu, mas à forma você.
Segundo Monteiro (1994: 161-164), intercambialidade dos pronomes”, decorre, no caso dos pronomes de 2ª pessoa, da introdução do pronome você. Isso se dá por um processo de reorganização do sistema em que possibilidade de uma série de associações nas relações sintáticas. Tal alternância pronominal   ocorre segundo ao autor por mudanças no comportamento dos interlocutores, dependentes da natureza da relação social: o uso de te com você conota talvez maior aproximação ou intimidade do que lhe com você.

Ainda com base nos conceitos de Monteiro, consideramos que os tipos de relação social e as interferências intersubjetivas constituam fatores condicionantes ao uso dos pronomes de 2ª pessoa, não podemos deixar de ressaltar que, através da observação da aquisição, os fatores que devem estar condicionados ao uso do te não sejam esses, pois uma criança ao redor dos dois anos de idade, quando se observa o uso do clítico de 2ª pessoa, manteria o mesmo uso ainda que estivesse falando com outra pessoa que não fosse a sua mãe, pois não possui bem definidos os tipos de relações sociais e o vocabulário a eles adequado.

domingo, 27 de outubro de 2013

Resenha do artigo "Formas de Tratamento no Português Brasileiro: A Alternância Tu/Você na Cidade de Santos – SP"

RESENHA
Maraisy Guedes
O artigo intitulado “Formas de Tratamento no Português Brasileiro: A Alternância Tu/Você na Cidade de Santos – SP”, de Artarxerxes Tiago Tácito Modesto, tem como objeto de estudo o uso das formas de tratamento “tu” e “você” na cidade de Santos, SP, a partir da perspectiva sociolinguística e pragmático-discursiva, presentes no revezamento de tais formas. Pretendendo esclarecer o que leva os falantes a optarem por uma forma, e não outra, tal artigo tem como base a metodologia sociolinguística variacionista de Labov e as ideias funcionalistas de Halliday, onde a análise dos dados, bem como a interpretação dos resultados de cálculos estatísticos, se deram a partir dos resultados de cálculos de frequência e probabilidade presentes no programa Goldvarb.
A análise da alternância entre “tu” e “você” presente no artigo apresenta um estudo sincrônico, embasado em análises quantitativas a partir de dados linguísticos. O autor levantou hipóteses de fatores que possivelmente influenciem os falantes a optar por determinada forma, ao invés da outra, em situações informais de interação. Dentre tais hipóteses, estão presentes: o condicionamento por fatores linguísticos, discursivo-pragmáticos e sociais na escolha de uma das formas, bem como a configuração do contexto conversacional; a escolha pelo “tu” ser provocada por situações de [+ envolvimento], [- monitoramento] e [+ expressividade], enquanto, contrariamente, a escolha pelo “você” ser provocada por situações de [- envolvimento], [+monitoramento] e [- expressividade] etc.
Quanto à abordagem funcionalista utilizada no estudo, o autor explica como se dá sua análise, quais são os seus fatores, a interação linguística e seu objetivo. Ao escolher esta abordagem, o autor leva em conta que o estudo da língua a ser usada precisa ter como base um quadro teórico que considere critérios discursivo-pragmáticos, até porque é defendido no artigo que o uso das formas de tratamento na cidade pesquisada é dependente de fatores deste cunho. O autor explica que a teoria abordada entende a língua como instrumento de comunicação, onde esta não pode ser considerada um objeto autônomo, e sim uma estrutura subordinada às pressões advindas de situações comunicativas, onde tais situações a influenciam. A opção entre “tu” e “você” em Santos depende da configuração de fatores presentes no funcionalismo, como o propósito do ato de fala, os participantes e o contexto discursivo. O autor também deixa claro que não é possível entender determinado fator linguístico sem considerar tanto o sistema social quanto o sistema linguístico que ele pertence, onde a competência comunicativa é posta sob análise. A partir da análise funcionalista, o autor defende que o contexto situacional é importante para um planejamento incipiente acerca da escolha entre formas de tratamento.
Quanto aos aspectos pragmático-discursivos e interacionais, o autor cita Levinson, que afirma que no ponto de vista pragmático leva-se em conta a interpretação da linguagem em uma visão funcional, como também aspectos da fala e do contexto, e nunca a língua isolada de sua produção social. Em seguida, o autor explica como os estudos pragmáticos enxergam os fenômenos linguísticos, citando Hilgert. A partir das sucintas considerações feitas, o autor acredita não ser possível analisar qualquer fato linguístico de forma isolada a seu contexto discursivo ou conversacional, e considera que a língua é uma manifestação social que, além de contribuir para a reprodução e transformação das estruturas sociais, também é mudada por elas.
Partindo para o modelo laboviano, é mostrado que a variação estilística é um aspecto importante, pois trata da alternância de formas linguísticas a partir do contexto da atuação comunicativa. O autor elucida que a variação de estilos não se trata de uma simples escolha individual, pois depende, em grande parte, de determinados fatores. Tais alternativas advêm do que Labov intitula de variação estilística, que tem como fundamento básico a ideia de que o falante não usa a língua do mesmo modo em todas as situações. Sendo assim, aplicado ao estudo proposto, o interlocutor precisa escolher uma forma adequada para uma ocasião específica, em um certo contexto discursivo.
A amostra analisada no artigo é constituída por dados coletados durante dois anos, e a partir da mesma ficou claro que a variação entre “tu” e “você” na cidade de Santos estava presente em contextos muito informais, tanto na fala de jovens quanto de adultos, em interações cotidianas. Assim, o autor explica que não foi possível fazer uso de dados nos modelos variacionistas prototípicos, já que a relação entrevistador – informante não foi entre pares nem simétricas. O autor também discorre sobre as dificuldades quanto ao melhor modo para coletar os dados, onde decidiu trabalhar tanto com a possibilidade de fazer gravações secretas quanto gravações não-secretas, onde de vinte gravações, metade foi secreta e a outra metade foi não-secreta.
Na análise de dados, o autor destacou os grupos de fatores que foram controlados durante a pesquisa. São eles: variáveis sociais (gênero, faixa etária e escolaridade), variável linguística (função sintática da forma de tratamento) e variáveis discursivas (referenciação, monitoramento e expressividade do ato comunicativo). Entretanto, de todos estes grupos, apenas os fatores gênero e faixa etária não foram considerados relevantes para a escolha das formas de tratamento.
Para a exposição dos cálculos estatísticos foi usada a ordem de seleção do programa, pois o autor explica que dessa forma a interpretação dos resultados seria mais apropriada para melhor entender como se dá a alternância pesquisada. Em tabela, o autor colocou a quantidade de ocorrências de “tu” e de “você”, seguida do total de ocorrências. A partir disso, foi considerada a diferença entre a quantidade de ocorrências de “tu” e de “você”, onde houve quase o dobro de ocorrência de “você”. O autor destaca um fato importante para a pesquisa: apesar de “tu” ser uma marca linguística da cidade de Santos, através da pesquisa foi possível perceber que não é esta a preferência geral. Também foi possível notar, pelo fator variável discursivo monitoramento da fala, que as ocasiões que envolvam menor monitoramento dos interlocutores favorecem o aparecimento do “tu”, enquanto o contexto mais monitorado favorece o uso de “você”, confirmando, assim, a hipótese inicial do autor.
Os dados mostrados no artigo também deixam claro que o uso do “tu” tem uma marca mais informal e de maior envolvimento entre os falantes. O autor destaca que a utilização do “tu” tem uma certa inconsciência no uso diário dos falantes. Além disso, o autor também resolveu questionar alguns informantes sobre o uso do “tu” e do “você”, que foi, no mínimo, interessante, pois alguns disseram não usar o “tu” comumente, como outros disseram não usar nunca, apesar de depois alguns reconhecerem que usam ao falar com amigos ou pessoas íntimas. A partir de tais dados, o autor mostra que o uso do “tu” se trata de uma questão de valor social, em que o uso de tal forma pode indicar tanto informalidade quanto “erro” na visão dos informantes.
O autor dá uma maior ênfase ao uso do “tu” em Santos justamente por esta ser uma marca linguística da cidade, como dito anteriormente. Assim, ele nota que, através do fator expressividade, que, por sinal, foi um dos mais relevantes, o uso do “tu” é bastante frequente em situações expressivas, quando o falante pretende ser mais incisivo na situação de fala. Já o uso de “você” nestes mesmos contextos expressivos não são favorecidos.
Quanto ao fator referenciação, o autor, sucintamente, a partir de dados em tabela, conclui que a referência direta propicia o uso de “tu” em contextos em que há relações de igualdade, já quanto ao “você” o uso não é favorecido nesta mesma referenciação. Se tratando de referenciação indireta e indeterminada, a forma “tu” não é favorecida, sendo o uso de “você” bem mais favorecido.
Partindo de dados quanto à função sintática da forma de tratamento, bem como pesquisa em diferentes autores, o autor reconhece que “você” está se expandindo cada vez mais nacionalmente, e em breve poderá até ser um pronome de segunda pessoa, remodelando o sistema pronominal oficial brasileiro. Assim, ele completa afirmando que a função objetiva “tu” predomina sobre as outras formas quanto à frequência de uso, enquanto na função subjetiva, o “você” prevalece quanto aos demais. É importante destacar que o autor procura sempre relacionar os fatores para chegar a uma conclusão a partir dessa interligação (como, por exemplo, cruzar o fator função sintática com o fator expressividade), sempre fazendo uma comparação e mostrando seus resultados, como também procurou mostrar não só o uso do “tu” e do “você, mas deixar claro que o uso do “te” também é comum em substituição ao “você” (o autor também salienta que a forma “lhe” não ocorreu em momento algum) como no seguinte exemplo exposto pelo próprio autor: em Santos, as pessoas optam por falar “ai se você começar a atirar ele começa a te metralhar...”, e não “ai se você começar a atirar ele começa a metralhar você”.
Quanto ao fator escolaridade, o autor mostra a frequência e o peso relativo do uso de “tu”, e, a partir dos dados, afirma que os falantes com menor grau de escolarização têm mais chance de usar o “tu” em seu discurso. Por outro lado, os falantes com maior grau de escolarização procuram evitar o uso de tal forma.
Apesar de o fator gênero ter sido considerado irrelevante em tal pesquisa, o autor sugere que, em Santos, é possível que haja uma neutralização do uso de “tu” quanto ao gênero. Como possível explicação, o autor afirma que pelo fato de, em Santos, os homens e as mulheres terem a possibilidade de orientar sua conversação sem se limitar ao valor social, numa relação recíproca, é possível que se dê essa neutralização. Quanto ao fator faixa etária, que também foi considerado irrelevante, o autor realça a importância de pensar que a alternância entre “tu” e “você” também pode ser uma variável estável, não descartando a possibilidade de que o processo de mudança ainda pode ser desenvolvido. É ressaltado que, a partir das reflexões feitas ao longo do artigo, atualmente, no português de Santos, não há sinais de processo de mudança linguística onde o “tu” possa substituir o “você” ou vice-versa.

O autor finaliza seu artigo declarando que a análise feita tanto confirmou quanto contestou hipóteses lançadas. Ele conclui que os falantes de Santos tem maior probabilidade em usar a forma “tu” em ocasiões informais, porém seu uso não ultrapassa estatisticamente o uso de “você”. Ele também conclui que a forma objetiva “te” é a mais produtiva, muitas vezes revezando-se com “tu” e “você” em um mesmo discurso. Encerrando, vê-se que ambas as formas permanecem bem ativas no falar de Santos, havendo uma linha primorosa demarcando um ou outro uso, também não descartando a ideia de que, apesar de não haver mudança em progresso, pode haver uma mudança linguística de transição para determinada forma pronominal definitivamente.