sexta-feira, 8 de novembro de 2013

                                                                RESENHA

             PERDA (DO USO DO TU/TE) E AQUISIÇÃO (VOCÊ/TE)
                                                                                   Cinthia ferreira de Andrade

A resenha sobre o artigo “PERDA ( DO USO DO TU/TE) E AQUISIÇÃO (DE VOCÊ/TE) trabalho elaborado por Sônia Lazzarini Cyrino e Onilda Regina M. de Brito tem como foco de estudo  a seguinte ocorrência, em que empregada a forma de tratamento você junto ao pronome oblíquo te e ainda no trabalho são consideradas algumas das condições de uso dos pronomes da 2ª pessoa em função do objeto.
Neste estudo foi evidenciado à relação aos clíticos, em PB, no qual os estudos apontam que está desaparecendo. Porém ainda ocorre o uso dos clíticos de 1ª e 2ª pessoa embora em proporções menores. Analisados os dados foi verificado os valores dos clíticos de 2ª pessoa que de início houve uma considerável diminuição no uso desse clítico, mas que a partir dos 1940 volta aumentar o seu uso, chegando em 1973 a 24% não muito distante do valor apresentado na primeira metade do século XVI. Devemos registrar, no entanto, que esse clítico não corresponde mais à forma de tratamento tu, mas à forma você.
Segundo Monteiro (1994: 161-164),  intercambialidade dos pronomes”, decorre, no caso dos pronomes de 2ª pessoa, da introdução do pronome você. Isso se dá por um processo de reorganização do sistema em que possibilidade de uma série de associações nas relações sintáticas. Tal alternância pronominal   ocorre segundo ao autor por mudanças no comportamento dos interlocutores, dependentes da natureza da relação social: o uso de te com você conota talvez maior aproximação ou intimidade do que lhe com você.
Ainda com base nos conceitos de Monteiro, consideramos que os tipos de relação social e as interferências intersubjetivas constituam fatores condicionantes ao uso dos pronomes de 2ª pessoa, não podemos deixar de ressaltar que, através da observação da aquisição, os fatores que devem estar condicionados ao uso do te não sejam esses, pois uma criança ao redor dos dois anos de idade, quando se observa o uso do clítico de 2ª pessoa, manteria o mesmo uso ainda que estivesse falando com outra pessoa que não fosse a sua mãe, pois não possui bem definidos os tipos de relações sociais e o vocabulário a eles adequado.
            Analisando os dados da pesquisa pude perceber que a perda do uso te associado à forma de tratamento tu e o seu uso de te associado à forma de tratamento você, havendo também mudança no contexto em que ocorre essa nova associação: da interlocução para a enunciação. Pode-se considerar também que há existência de regras estrutural que submetem o uso desses pronomes pessoais, principalmente quando ouvimos, por exemplo, “ eu te amo você “ ou  “ Eu te falei pra você” , em que o clítico parece ser uma manifestação de concordância.

            Há muito a ser pesquisado quanto ao uso do Você/te, já que o uso do Tu/te só ouviremos, em PB atua, em restritas regiões do pais  e se tiver sido “aprendido “ na escola pelo falante, embora as gramáticas insistam em que se deve manter a uniformidade de tratamento, mas observa-se que em PB isso nem sempre ocorre.

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