domingo, 3 de novembro de 2013

A VARIAÇÃO DOS PRONOMES DESEGUNDA PESSOA NA LÍNGUA FALADA NAS COMUNIDADES DE RATONES E DE SANTO ANTÔNIO DE LISBOA – UMA ABORDAGEM SOCIOLINGUÍSTICA VARIACIONISTA

Wágner

O artigo produzido por Patrícia Graciela da Rocha intitulado: “A variação dos pronomes de segunda pessoa na língua falada nas comunidades de Ratones e de Santo Antonio de Lisboa-Uma abordagem Sociolinguística Variacionista” composto por treze (13) páginas visa descrever a alternância dos pronomes “tu/você” nas duas comunidades de Florianópolis e saber se o “tu” persiste com relação ao você, os dados foram coletados do banco de dados do programa VARSUL; 192 entrevistas e foi utilizado também para analise o banco de dados VARBRUL.
       Como o titulo já mostra a autora partiu de uma metodologia variacionista, pois selecionou oito informantes e levou em consideração as variáveis sociais independentes não linguísticas que são: escolaridade, região e faixa etária e as variáveis linguísticas que são: paralelismo formal e concordância verbal, embora, eu não foque em concordância o artigo também menciona a concordância do pronome “tu” e o paralelismo entre os pronomes (tu/teu/te, você/seu/lhe) que arremetem o uso de alguns desses pronomes “tu/você”.
      Segundo a autora, há alternância entre esses pronomes em que a variante “tu” na região Sul mostra-se mais frequente com relação a variante “você” tal hipótese é levantada com base nos estudos de Loregian-Penkal (2004) na região central de Florianópolis e do Ribeirão da ilha (região interiorana), pois a autora afirma que por meio de comparações a predominância da variante “tu” sobre a variante “você”.
      De acordo com os dados levantados a autora pode constatar com relação à alternância de tu/você que a variante “tu” realmente predomina nas duas comunidades, porque como a autora argumenta apesar de o pronome (você) ser novo no português brasileiro os informantes jovens  fizeram 100% uso de “tu” e os mais velhos 96% das ocorrências e 4% do pronome você. Como a autora previa em seus objetivos o pronome (tu) continua a ser a forma mais utilizada até pelos mais escolarizados, embora os menos escolarizados façam mais uso de (tu).
      Como já havia mencionado o caso da concordância não será enfatizado aqui, pois não favorece a análise em questão que é a variação entre os pronomes de segunda pessoa. A autora explicita bem todo o trabalho aqui apresentado, no entanto deixa a desejar quanto à explicação a cerca do fato histórico entre ambos os pronomes, pois é mencionado que o pronome “você” é mais novo que o “tu” no português brasileiro, mas essa explicação ficaria mais coerente se a autora partisse de uma proposta morfológica em que ela poderia delimitar o pronome de tratamento “vosmicê” até ele chegar na condição de pronome pessoal, desta forma acredito que a afirmação anteriormente de que um pronome é mais recente que o outro ficaria mais clara.

        Embora tenha este pequeno empecilho, se é que posso chamar assim, não chega a comprometer a compreensão do artigo e fortaleceria a suposição de que a população jovem faz mais uso de “tu”, mas se fosse feita apenas melhoraria. Quanto à variação entre as duas variantes apenas foram confirmados o que já era hipotético, que a região sul tende a falar utilizando mais o “tu”.

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