RESENHA SOBRE O ARTIGO
“TU, VOCÊ, CÊ, e OCÊ NA VARIEDADE BRASILIENSE”
Jose Ricardo
Bispo de Castro
O referente artigo apresentado é fruto de uma
pesquisa sociolingüística sobre os pronomes de segunda pessoa, com amostra de
falas da variedade lingüística encontrada na região de Brasília e em algumas
regiões administrativas que a circundam. Foi uma pesquisa que teve com base
teórica a Variação Lingüística delineada por WEINREICH, LABOV & HERZOG. que assumem como premissas básicas a
heterogeneidade lingüística ordenada e a necessidade do lingüístico e do não
lingüístico para o entendimento pleno da variação e da mudança lingüística. Que
é um fator de mudança diária, motivo pelo qual as pesquisas são importantes
para os arquivos dessa variação tão rápida da língua.
Primeiramente os
autores da pesquisa fazem uma retomada histórica de Brasília e como foi a
formação para a construção da cidade, tendo como parâmetro os candangos que
foram para Brasília na época de sua construção. Essa perspectiva é bastante
interessante para o trabalho sociolingüístico porque, na época, pessoas de
várias regiões do país foram para Brasília para ajudar na construção da Nova
Capital da República. Resumidamente, a
pesquisa feita por estes pesquisadores apontam que, predominantemente, Brasília
foi ocupada por nordestino, com 41,45%, em segundo lugar veio o sudeste com
30,72%, seguidos do centro-oeste com 22,75%, o sul com 1,98% e por último o
norte com apenas 0,92%. Esses dados têm impactos diretamente na maneira de
falar dos moradores da cidade de Brasília, tanto para os que lá chegaram como
para os que lá nasceram. Tendo em vista que a sociedade em que estamos
inseridos é fator fundamental para o modo de falar que adotamos, é uma
característica humana.
A pesquisa foi dividida
em grupos para abarcar melhor todas as variantes dependentes, assim foram
usadas pessoas dos sexos femininos e masculinos, com diferentes posições
sociais e com idades distintas. As cidades citadas na pesquisa foram Brasília,
Taguatinga e Ceilândia, estas se diferem pelo poder econômico, social e
cultural. Brasília com maior poder aquisitivo, com pessoas de classe alta,
Taguatinga como classe média e Ceilândia, a cidade mais populosa do DF, como a
cidade de classe baixa. Outro delineador foi a faixa etária dos informantes que
foram divididos em: 13-19 anos; 20-29 anos e 30-48 anos.
Dados todos esses
referenciais conclui-se que os homes com menores idade entre 13-19 anos tem
maior incidência de usar o tu (pronome de segunda pessoa) em situações diárias
de fala em um percentual de 41,5%, enquanto que as meninas da mesma faixa
etária produzem esse pronome percentualmente em 22,6%. Na considerada, idade
intermediária , 20-29 anos, os homens continuam na frente com 17,4% com relação
as mulheres que atingem o total de 9,7%. Interessante a pesquisa que
descobri-se que na última faixa etária pesquisada e apenas 5,1% dos homens
continuam usando o “TU” enquanto as mulheres tiveram índices zerados 0,0%.
Compreende-se então, que o uso do “TU” pode ter
relação com a idade, o grau de instrução e a classe social a que pertence o
informante, visto que com menos idade, menos instrução educacional nos temos e
com o passar dos anos tendemos a avanços educacionais e por este motivo usamos
a maneira mais formal e culta para se dirigir a terceira pessoa, usando o
“VOCÊ” em detrimento do “TU”. Vale salientar também que tanto em Brasília como
nas Regiões Administrativas o uso do “TU” prevalece
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